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10 motivos para não expor as crianças à publicidade

1. É ILEGAL
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) já define que a publicidade que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança é abusiva, portanto ilegal. A Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) (entenda melhor aqui), publicado no Diário Oficial em 2014, reforça o CDC, ao considerar abusivo o direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, de até 12 anos de idade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

2. É ANTI-ÉTICO
Crianças são utilizadas como promotoras de produtos para elas e seus pais. Personagens e ídolos infantis são associados a marcas para atrair atenção desse público. As crianças são responsáveis pelo processo decisório de 80% das compras da família (segundo pesquisa InterScience de 2003).

3. ENGORDA
A Organização Mundial de Saúde (OMS) defende o fim da publicidade de alimentos não saudáveis para as crianças e está elaborando um documento para orientar os governos a desenvolverem políticas públicas para reduzir o impacto do marketing de alimentos e bebidas com baixo teor nutricional sobre as crianças. Entre 1980 e 2013, sobrepeso e a obesidade subiram 47,1% nas crianças e é a principal responsável por doenças graves prematuras, como diabetes e problemas do coração.

Assista ao documentário “Muito Além do Peso”
Leia a publicação “Transtorno alimentares e obesidade infantil”

4. NÃO É SUSTENTÁVEL
Atualmente, mais de 80% da população mundial vivem em países que usam mais recursos do que seus próprios ecossistemas conseguem renovar, segundo pesquisa da Global Footprint Network de 2013. Estimular o consumo sem reflexão agrava ainda mais essa situação. Desde pequenas, as crianças devem ser instigadas a descobrir que cada uma de suas ações tem impacto no coletivo e no meio ambiente. Antes de serem apresentadas ao mundo do consumo, elas também devem aprender valores essenciais à sobrevivência da humanidade, como a solidariedade, o senso de responsabilidade com o bem comum, o respeito ao outro e ao meio em que vivemos.
Leia a publicação “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade”

5. EROTIZA
A comunicação mercadológica tem impactos muito fortes na sexualidade de crianças e adolescentes, acarretando sérias e desastrosas mudanças de rumo em suas histórias de vida. A perda da autoestima, o mercantilismo sexual, a gravidez precoce e a violência são alguns dos retornos negativos do encurtamento da infância.
Leia a publicação “Erotização Precoce e Exploração Sexual Infantil”

6. DISTORCE VALORES
A publicidade diz a crianças e adolescentes que eles só serão felizes se possuírem ou usarem determinado produto, perpetuando a cultura de que é preciso ter para ser. Boa parte das publicidades estimula a competição, o individualismo, o preconceito e a adulação como forma de conseguir o produto anunciado, além de contribuir para o consumo precoce do álcool e tabaco e para a diminuição das brincadeiras.
Assista ao documentário “Criança, a alma do negócio”

7. ESTRESSA A FAMÍLIA
A publicidade infantil é pensada minuciosamente, de forma que as crianças sejam estimuladas a pedir o produto repetidamente para vencer os pais pelo cansaço – esse é o chamado “fator amolação”, amplamente estudado e usado pela indústria do marketing.
Leia a publicação sobre “Estresse familiar”.

8. ESTIMULA A VIOLÊNCIA
O acesso rápido ao consumo, a independência e o prestígio são os principais motivadores de delitos entre os internos da Fundação Casa, segundo pesquisa da instituição de 2006. Como a publicidade passa a ideia de que só quem tem está inserido na sociedade, crianças e adolescentes acabam usando da violência para conseguir aquilo que acreditarem ser necessário para serem aceitos.
Leia a publicação sobre “Violência”.

9. SE APROVEITA DA AUSÊNCIA DOS ADULTOS
O tempo médio por dia que crianças e adolescentes passam em frente à televisão tem subido constantemente, em 10 anos (entre 2004 e 2014) foi registrado um aumento de 52 minutos, segundo levantamento do Ibope Media. O pai e a mãe trabalham fora o dia todo para sustentar a casa e seus filhos. Cenário ideal para a publicidade infantil invadir sua casa e ocupar seu espaço.

10. NÃO SE SUBMETE A NINGUÉM
No Brasil, não há um órgão que fiscalize os abusos cometidos pelo mercado publicitário. As agências e os anunciantes atuam apenas com base em um acordo de autorregulamentação, que não prioriza os interesses do cidadão e não protege a infância.

LEIA TODAS AS PUBLICAÇÕES DO CRIANÇA E CONSUMO AQUI.